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Sábado, 31 de Julho de 2010 PESQUISA
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Obras públicas custam mais 102% do que o inicialmente previsto
A maior parte das obras públicas em Portugal termina com derrapagem financeira. É o que conclui um estudo que analisou 73 empreitadas (realizadas entre 1985 e 2004), segundo o qual, o custo final atinge geralmente o dobro do preço inicialmente previsto. O novo Código dos Contratos Públicos (CCP) deveria pôr fim a esta situação, mas os agentes do sector estão pessimistas e não acreditam nos benefícios do novo enquadramento legislativo.

Foi a percepção de que raramente as empreitadas não derrapam e a vontade de criar um modelo que permita calcular com maior exactidão os custos reais que levou O engenheiro António Flor a incidir a sua tese de doutoramento sobre esta matéria.

Para a realização deste estudo, estudou auditorias do Tribunal de Contas a 73 obras públicas incluindo o Metropolitano de Lisboa e os estádios do Euro/2004.
De totalidade de obras estudadas, 69 custaram mais do que o previsto, sendo que a dimensão do desvio varia entre 7% e 243%. Ou seja, em média, as obras públicas custam mais 102% do que o inicialmente previsto. Tendo em conta que, que os contratos públicos (empreitadas e aquisições de bens e serviços) representam cerca de 14% do Produto Interno Bruto, a ordem de grandeza é relevante.

Segundo as associações do sector da construção e para Ordem dos Engenheiros, a falta de qualidade dos projectos, as alterações introduzidas pelo dono da obra com trabalhos no terreno, o mau planeamento da execução e as deficiências na fiscalização são as principais causas das derrapagens e não serão resolvidas com a nova legislação.
18 de Fevereiro de 2008
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