PTW
Centro Nacional de Natação - Jogos Olimpicos 2008
Pequim
Atenas 2004 teve uma pira olímpica que se baixava para colher o fogo das mãos de um atleta. Sydney-2000 teve um estádio que captava água da chuva. Barcelona-1992, um parque aquático que transformava a própria cidade em cenário. E Pequim-2008?
A capital do país mais populoso do mundo, com orçamento de primeiro mundo e problemas de terceiro, promete um dos projectos mais espectaculares já realizados em toda a história olímpica. Um parque sobre uma reserva ambiental, com um lago abastecido através de um sistema de reaproveitamento de água das chuvas, e duas obras monumentais: o Centro Nacional de Natação e o Estádio Nacional.

Projectado pelo o escritório australiano PTW, juntamente com a empresa Aroup Engenharia, China State Construction and Engineering Corporation (CSCEC) e Design Institute, o projecto conhecido como "Water Cube" desenvolveu-se a partir da estrutura da bolha de sabão, e transforma a água num material de construção, que desmaterializa o edifício de uma forma significativa. A estrutura de água amacia e dissolve todos os vértices, e dá ´micro´ detalhes à totalidade monolítica. A sofisticação e o aspecto lúdico dos componentes, a simplicidade e a monumentalidade do todo conferem-lhe uma dualidade interessante.
Numa cidade como Pequim a água é de tal forma importante, que ter um contacto permanente com ela se torna um luxo. O Centro de Natação transcende a sua funcionalidade durante os Jogos, tornando-se num paraíso que traz todo o tipo de fantasias.
A figura do quadrado não é estranha à cultura chinesa. Para se posicionar no universo os chineses escolhem o quadrado como forma primária para as cidades, palácios e casas.
O seu mundo imediato, mensurável, controlável, toca sempre no desconhecido. O quadrado é a ordem, inteligência e o conhecimento do homem, o ideal chinês de harmonia regulada.

Na cultura chinesa, há uma ideia tradicional de “Céu curvo e Terra quadrada” que se reflecte em muitos projectos de arquitectura e prática de planeamento das cidades. Se o Estádio Olímpico é visto como o lugar onde o homem comunga com os Deuses espiritualmente e fisicamente e onde o fogo é acesso ao céu, o Centro Nacional de Natação é o local que traz as pessoas à felicidade, à alegria e a todos os tipos de fantasia.
O Centro Nacional de Natação é axialmente relacionado com o Estádio Nacional através da Esplanada Olímpica, construindo um diálogo entre terra (quadrada) e céu (curvo), água e fogo, alterando sensações e formas, ou numa palavra, Yin e Yang. Eles definem-se e reforçam-se mutuamente um ao outro.
As “gotas de água” transformam-se em tanques de água com vegetação, esculturas, fontes e outros dispositivos aquáticos. Como a Cidade Perdida, era protegida por um rio, o edifício do Centro Nacional de Natação é separado da terra por um fosso linear no seu perímetro. A única forma de acesso a ele é através de pontes. Uma parede de água corre ao lado do fosso para elevar o sistema espacial acima do chão. Na área de entrada, a parede de água alcança toda a altura com um pano de vidro para permitir que a luz do dia seja filtrada pela água no lobby. As pessoas experimentam uma caminhada através de um plano de água cada vez que entram no edifício. Ligados sob o solo, os fossos e tanques servem como recolha, filtro e sistema de reciclagem para economizar água e alcançar o objectivo das “Olimpíadas Verdes”.
Todo o edifício foi desenhado para actuar como uma estufa, absorvendo radiação solar e evitando perda de calor. O princípio é o de capturar a radiação solar na área do edifício onde ela é mais necessária, em volta da piscina, e mantê-la ali. A massa térmica do betão e da água absorvem e irradiam de volta esse calor à noite.
Para chegar ao equilíbrio correcto, a fachada tem três modos de operação para responder aos diferentes necessidades sazonais - verão, inverno e meia estação. As fachadas claras e translúcidas permitirão altos níveis de luz diurna, o que evita o uso de iluminação artificial durante o dia. Um dispositivo interno no desenho da pele de ETFE é o sistema de controlo de incidência.
Modificando a pressão nas cavidades, os vãos internos podem ser “abertos” ou “fechados”. Isso permite o controle dos níveis de luz para criar um efeito de sombra, similar à da luz sob uma árvore ou sob a água. A luz pode ser controlada para incidir sobre as áreas que não sofrem com os reflexos, alternativamente o tecto e as paredes podem ser “desligadas” para atingir condições óptimas de iluminação para as câmaras de televisão.
À noite o edifício brilhará para destacar as suas actividades.

A estrutura do Centro Nacional de Natação foi baseada na subdivisão mais eficiente do espaço tridimensional. È um padrão extremamente comum na natureza, a organização fundamental de células orgânicas, a estrutura cristalina encontrada nos minerais e a formação natural das bolhas de sabão.
Lord Kelvin, um físico da era vitoriana, propôs e resolveu um problema: qual seria a forma mais eficiente de dividir um espaço em células de igual tamanho e com o mínimo de área nas superfícies comuns? Em 1887, Kelvin chegou à conclusão de que um poliedro de 14 lados, formado por 8 hexágonos regulares e 6 quadrados, seria a solução.
Em 1993, dois professores irlandeses, Denis Weaire e Robert Phelan, usaram um programa de computador para conseguir uma solução 0,3% melhor. É difícil imaginar esse desenho? Talvez não pois ele repete-se nas paredes do edifício.


Feitas de uma espécie de teflon, as bolhas formam o elemento estrutural do prédio, sem a necessidade de pilares ou apoios. Lá dentro existem cinco piscinas, uma com ondas, e bancadas para 17 mil pessoas. Essa "parede" de bolhas, além de deixar passar a luz, retém cerca de 90% do calor do sol, que será usado para aquecer as piscinas.
Segundo o escritório PTW, responsável também pelo parque aquático de Sydney-2000 e pelo plano de Atenas-2004, a água das piscinas também será reciclada – juntamente com a da chuva – que será captada por um fosso que delimita o complexo.
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