Boogertman & Partners e Populous
Soccer City
Joanesburgo, África do Sul
Fica situado num bairro de Joanesburgo, África do Sul, o estádio onde se deu o pontapé de saída do primeiro jogo do Mundial de futebol de 2010 e onde terá também lugar a final. O equipamento sofreu uma remodelação para dar resposta às normas exigidas pela FIFA, e para estar à altura das expectativas deste grande evento.
Localiza-se exactamente em Soweto, bairro habitado por aproximadamente 40% da população de Joanesburgo, esta obra tem sido palco de acontecimentos históricos e desportivos relevantes. Desde as suas origens, em 1986, graças à vontade de dirigentes locais, sendo assim um dos raros estádios africanos a cumprir as normas da FIFA , como em 1996, quando albergou a final da Taça das Nações Africanas, ocasião em que a selecção nacional se tornou campeã; também deu lugar ao discurso de Nelson Mandela, após a sua libertação, em 1990.

Originalmente chamado de Estádio FNB, actualmente é denominado de Soccer City (Cidade do Futebol), e é um dos ícones da identidade sul africana.Um dos objectivos da intervenção foi aumentar a capacidade da lotação, com a criação de mais um anel superior, subindo assim de 80 000 para 88 958 o número de lugares sentados. Foram também construídas mais duas cabinas de executivos, novos vestiários, o número de camarotes aumentou de 85 para 184, a cobertura foi ampliada e foram colocados holofotes normalizados. A fachada foi totalmente remodelada, atribuindo uma nova imagem, bem demarcada a esta infra-estrutura.
Além do cumprimento do programa ao nível funcional, o colectivo sul-africano de arquitectos - que ganhou o concurso público internacional – pretendeu destacar a dimensão histórica do estádio baseando o seu conceito na cultura e simbolismo africanos. Assim surge a intervenção estética, que se reflecte na enorme escala de todo o revestimento/fachada do equipamento, ovalado e biselado, de forma a assemelhar-se a um calabash, uma cabaça/vaso africano, objecto ritual que comporta fogo no seu interior, sendo a escolha do júri para a melhor representação possível do continente africano, algo que o associa e distingue de todos os outros.

Esta peça é universalmente uma representação da mistura de povos e culturas que povoam a África. Também os materiais identificam a cultura africana já que os painéis sobrepostos que revestem a fachada são feitos à base de matérias-primas como argilas e terra, que formam o mosaico das múltiplas expressões africanas e a grande ligação ao solo.
A fusão destes matizes e cores térreas e forma acabaçada é plenamente destacada pela iluminação nocturna, que, ao contrastar com os painéis em terra, cria a ilusão de existir fogo no interior do estádio, recriando assim o “calabash” ritual primitivo.
Edição Construlink.com
Arq.ª Cátia Marcelino
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